POEMAS IBÉRICOS (113) UN POEMA DE FRANCISCO RAMÍREZ LÓPEZ

 

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FRANCISCO RAMÍREZ   (
Lepe, 1963)


Últimos títulos publicados desde 2020 
 
 
El maestro rojo (Ed. Invasoras, 2021)
Naima entre las olas (Ed. Invasoras, 2022)
Las lágrimas de Ucrania (Ed. Invasoras, 2024)
Seguir amando (John Holland Gallery, 2024)
La corteza de las bestias
(Adarve, 2025)
 
Traducción de Vitor G. Cardeira
 
 
RES ABIERTA EN EL MATADERO
 
                          «Para que el agua  envenenada / pueda  beberse».
                                             CHANTAL  MAILLARD

Bocabajo
desángrate colgado
por los pies
como  bestia  fragmentada
desde el cielo.
 
Tan alto.
Tan  solo.
Tan de  Dios.
Y tan frío ese arriba.
 
 
Desángrate  lento frágil
abierto en canal
atado por los pies
a tres palmos de cadena.
 
Que  se queden  sin sangre las palabras.
Descuelga  tu corteza sobre el mundo.
Que no  tiemblen
las zarpas de tu bestia.

 

Sé  quietud.

Desátate   del tiempo.

 

 

Vaciate.

 

Deja caer los fluidos.

 

Los  ocres malolientes

los incoloros,

los rojos  más oscuros,

los de intenso olor  a hiel

los de la sangre muerta  entre  dos rosas

y los viscosos del primer grito.

 

Desángrate,  bestia, y no llores.

 Ya  no  puedes.


 



RES ABIERTA NO MATADERO



«Para que a água envenenada / possa ser bebida».

CHANTAL MAILLARD


De cabeça para baixo
esvazia-te pendurado
pelos pés
como um animal fragmentado
do céu.


Tão alto.
Tão solitário.
Tão de Deus.
E tão frio lá em cima.

Esvazia-te lentamente, frágil
aberto em canal
amarrado pelos pés
a três palmos de corrente.


Que as palavras fiquem sem sangue.
Descola a tua casca sobre o mundo.
Que não tremam
as garras da tua besta.

Sê quietude.
Desata-te do tempo.

Esvazia-te.
Deixa cair os fluidos.

Os ocres malcheirosos
os incolores,
os vermelhos mais escuros,
os de cheiro intenso a fel
os do sangue morto entre duas rosas
e os viscosos do primeiro grito.

Desangra-te, besta, e não chores.

Já não podes.



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