POEMAS IBÉRICOS (12) DOIS INÉDITOS DE MANUEL JURADO LÓPEZ
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Nasceu em Sevilha
(1942). Estudou Magistério na Escola Profissional da Sagrada Família de Úbeda,
na qual foi professor, tendo depois lecionado no Instituto Velàzquez de
Sevilha. É poeta, narradiir e tradutor e crítico literário, e tem ministrado
conferências em numerosas universidades dentro e fora de Espanha. Tanto a sua
obra poética como narrativa têm sido distinguidas com destacados prémios
litarários. Entre os seus romances destacam-se Trístula, O Cavaleiro da
Melancolia, Coral Negro, Rio Negro, O Bebedor de bourbon, O berbére, Os
Meteoros e, o mais recente, A idade imperfeita. Tem publicado também vários
volumes de contos. Poemas e contos seus têm sido traduzidos para o francês,
alemão, árabe e braille. Tem vencido vários prémios como o Miguel Hernández de Poesía
ou o Juan Ramón Jiménez.
FADO
El aire es cielo y vino, fado y navaja, tabaco y
soledad, tranvía nocturno hacia
el insomnio. Fado que se respira en la húmeda nostalgia
de la noche. El aire es sal y nave y estropicio de copas en
el suelo donde la voz se estrella
entre palabras de
cristal y fuego. El aire es aire y fado, y vino, navaja y soledad y húmeda tristeza entre
los párpados cansados de la noche. Y un
tranvía nocturno -como el amor- que se pierde en la
niebla. |
O ar é
céu e vinho, fado e
navalha, tabaco e solidão, elétrico
noturno até à insónia. Fado que
se respira na
nostalgia húmida da noite. O ar é
sal e navio e uma
confusão de copos no chão onde a
voz se espatifou entre palavras
de cristal e fogo. O ar é ar e fado e vinho,
navalha e solidão e
tristeza húmida entre pálpebras cansadas da noite.
E um elétrico noturno - como o amor - que se
perde no nevoeiro. |
BOCA DO INFERNO
Ojalá que el más duro corazón se abra al fuego de las nubes y las olas -boca de espumas, labios o barandas- para observar el abismo del mar que se destroza como un gigante azul exhausto, atado al tronco rocoso de la vida. La voz de lo profundamente sacro. El gran crujido del amor y los pecados. Las voces de los dioses furiosos del infierno, del alma atormentada de la tempestad. Las furiosas gaviotas, Y un niño que se asoma, irreverente, a la boca del más profundo sueño Y que, al trasluz, parece un ángel de fuego y de
[salitre. |
Oxalá que o coração mais duro se abra ao fogo das nuvens e das
ondas -boca de espumas, lábios ou varandas- para observar o abismo do mar que se estilhaça como um gigante azul exausto, amarrado ao tronco
rochoso da vida. A voz do profundamente sagrado. O grande crepitar do amor e dos
pecados. As vozes dos deuses irados do
inferno, da alma atormentada da tempestade. As gaivotas furiosas, E uma criança que espreita,
irreverente, na boca do sono mais profundo E que, à contraluz, parece um anjo
de [fogo
e salitre. |
(Dois poemas
inéditos de Cuaderno portugués)
Traducção de Vítor
Cardeira y Santiago Aguaded, agosto 2023
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