POEMAS IBÉRICOS (30) FRANCISCO SILVERA

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Francisco Silvera
(Huelva, 1969), licenciado em Filosofía pela Universidade de Sevilha e Doutor pela de Valladolid; professor do Ensino Secundário, colaborador regular na imprensa e escritor. Foi editor na JRJ e publicou em torno do seu conceito de “Obra” entre otros libros Poesía não escrita. Índices de obras JRJ conjuntamente com o profesor Javier Blasco (2013) e Obra e Edição na JRJ (2017). Foi também editor da poesía de António Carvajal em Viver a vida a voar (2019) e O corpo nos diferencia (na imprensa). Como narrador publicou: As apoteoses (2000) O libro das taxidermias (2002), O libro dos humores (2005), Álbum branco (2011), Tenebrário (2013), Da luz e três prosas granadinas (2014), Livro das causas segundas ou As criaturas (2014, Epub), Mar de Histórias. Livro em decrescente (2016), A Glória do Mundo (2017), O livro dos silêncios (2018), Pintar o ar, em parceria com Miguel Díaz (2018), As criaturas (reed. 2019), O mar de outubro (2020), A tristeza do mundo  A apoteose (2021), Os camaleões (Memória punk) (2021), Ponto contra Ponto (Uma Geometría do Tempo) (2023); como poeta: Livro do delírio (2007), Delta (2022) e Amor, Poder e Geometría (2023) com fotografías de Francisco Fernández e versão em italiano de Rosario Trovato: publicou ainda o o ensaio A Vida da Cultura ou Contra a intelectualidade (2020). Prosas suas podem ser lidas em blogues de micronarrativas e em várias antologias recentes. Articulistano em Grupo Joly e Diário 16.com. O júri do XXV PRÉMIO DA CRÍTICA ANDALUZA distinguiu com o seu galardão o Livro dos silêncios.


 

 

Si sólo somos ceniza

¿a qué viene tanto amor?

 

Si al fin nos esparce el aire

¿para qué tanto dolor?

 

Deja que toque tu piel;

lo otro: reste para Dios.

Se apenas somos cinza

Para que serve tanto amor?

 

Se no fim o ar nos dispersa

Para quê tanta dor?

 

Deixa que te toque a pele;

O outro: resta para Deus.

 

 

 

De La inocencia (2021) / Da Inocência (2021)

 

 

¿No eras tú quien ofrecía el mal como una copa, dañino? Como la carne abierta e indiferente al deseo, igual que si no te viera yo, ahora ofreces un mar de piel... y me mojara y dejara temblando en la aurora si el cáliz no se apartara; escóndete, tienes hermosura y Tú, Señor, apiádate, sé que voy a sorber su carne como el trigo verde al agua, como la lluvia devora la polvareda del estío haciéndola barro inmundo, como mi sangre al dolor; dejadme morir, dejadme...

 

***

Não eras tu que oferecias o mal como uma taça, daninho? Como a carne escancarada e indiferente ao desejo, como se eu não te visse, agora ofereces-me um mar de pele… e me encharcaras e deixaras tremendo ao romper da aurora se o cálice não se estilhaçasse; esconde-te, és Formosa e Tu, Senhor, tende piedade, sei que vou sorver a tua carne como o trigo verde na agua, como a chuva devora a poeira do verão tornando-a barro imundo, como o meu sangue perante a dor; deixa-me morrer, deixa-me…

 

      De Delta (2022)

 

Resplandece tu rostro

inmerso en la profunda tarde blanca,

muriendo entre luceros, entre lirios

elevando tu luz,

derramando la paz y los silencios,

y siendo vida clara.

 

 

Resplandece o teu rosto


imerso na profunda tarde branca,


morrendo entre estrelas, entre lírios


elevando a tua luz,


derramando a paz e os silêncios,

e sendo vida clara.

 

      De Delta (2022)

GRISALLA(S) / GRISALHA(S)

 

publicado en https://franciscoacuyo.blogspot.com/2023/08/grisallas-de-francisco-silvera.html

 

 


Grisalla, 1

 

 Cuando un territorio

se entrega a la muerte

ya nada se puede

hacer, queda sólo

 

dejarlo morir

con toda la paz

de la que es capaz

y así permitir

 

que cese el dolor,

admitir que pierde

el ser, el color,

 

que el aire nos miente,

huyendo el calor

ya nada se siente.

 

 

 

Grisalla, 3

 

 

El mal tiene un gris

que la tierra ardida

troca en sequeral,

cara de un estúpido

chalado que goza

dando fuego al monte

indefenso y sucio;

 

del mal se alimentan

el cafre mayor

que linda con todos

y esa hipocresía

 

del guardia que cuida

demente de nadie,

por nada arde todo,

por todo lo no hecho

fenecemos hartos.

 

 

 Grisalha, 1

 

 Quando um território

se rende à morte

já nada pode ser

feito, tudo o que resta é

 

deixá-lo morrer

com toda a paz

de que é capaz

e assim permitir

 

à dor cessar,

admitir que perde

o ser, a cor,

 

que o ar nos mente,

fugindo o calor

já nada se sente.

 

 

 

Grisalha, 3

 

 

O mal tem um cinza

que a terra ardida

torna em seca,

a face de um estúpido

tolo que goza de

dando fogo ao mato

indefeso e sujo;

 

do mal se alimentam

o maior malandro

que está perto de todos

e da hipocrisia

 

do guarda que não se importa

de ninguém,

por nada tudo arde,

por tudo o que não foi feito

fartos moremos.

 

 

 

 

 


“Ya estamos muertos” / “Já estamos mortos”

 

 

A Javier Sánchez Menéndez

 

 

 

Sí, ya estamos muertos,

estado de gracia

de quienes vivimos

con pasión mirando

 

al mundo, sedientos

de la carne, hambrientos

de espíritu ardiente

que tiembla en un hombro...

 

No, no estamos muertos

pues de la belleza

bebemos almíbar,

 

del placer purgamos

la maldad atroz

dejando atrás fe,

 

razón, verdad, alma:

ficción de la vida.

 

Sim, já estamos mortos,

estado de graça

dos que viveram

com paixão contemplando

 

o mundo, sedentos

da carne, esfomeados

de espírito ardente

que treme a um ombro…

 

Não, não estamos mortos

Pois da beleza

bebemos a poção,

 

do prazer purgamos

a maldade atroz

deixando para tras fé,

 

razão, verdade, alma:

a vida ficcionada.

 

 

 

 

 

 

Traducción de Vítor G. Cardeira y SAL, diciembre 2023

 


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