POEMAS IBÉRICOS (37) POEMAS DE SOFÍA SÁNCHEZ

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SOFÍA SÁNCHEZ (México, 1992). Poeta, cantora e editora mexicana. Licenciada em Ciências da Comunicação pela UASLP e Mestre em Escrita Criativa pela Universidade de Sevilha. Criadora do fanzine de literatura e artes Punto Muerto, pelo qual recebeu o Prémio de Jornalismo do Estado de San Luis Potosí em 2014. Fundadora da Editorial Torbellino. Publicou cinco livros de poesia: "Los poemas de un monstruo o una rosa" (2013). Foi vencedora do Prémio de Poesia Luis Cernuda em 2018, pela sua segunda coletânea de poemas, "Los astros" (Ediciones En Huida). "Bisão da Luz" (2019, Editora Ultramarina C & D), que está atualmente a ser traduzido para alemão. Em 2020, publica a sua peça de teatro: "Ajoelhado na boca crocante das fadas" (El Libro Feroz) e, em 2021, "Ancora e a debandada do silêncio" (Garvm). Aparece na antologia polaco-espanhola "Logos" (2021), nas antologias: "Hey, Jack Kerouac. La huella beat en la poesía en lengua española" Vol. I e II (2022, La Oveja Negra) e em "Matria poética. Una antología de poetas migrantes" (La Imprenta, 2023). Está a faze doutorado em Comunicação pela Universidade de Sevilha.


LOCOS O CARTE D`IDENTITÉ DE EXTRATERRESTRES

 

Todos locos// cayendo lenguas lunáticas// como libros con calendarios cósmicos al suelo// señal del insomnio por pensar en la locura de existir en sinfonías atropelladas// Mozart y el fantasma de su padre// Mario Santiago grita las palabras que otro pregonó y ahora me aprietan el pescuezo: Si puedes ser leyenda. Para qué ser fosa común// torcidos y coloridos campos de trigo wheatfield with crows que me enchina el cuero y un perfume de distancia con la razón de lo concreto// alejados de lo cierto, pero qué cerca de Tata Dios. Nietzsche hablándole a su montaña, en la hora del crepúsculo y nunca pudo derribarse monstruo// ídolo de su propia religión intelectual ¡Las fórmulas Marie Curie! // yo también asisto a la Universidad flotante. Que Einstein veía partículas salir de un violín atómico y se sabía nebulosa en su ciencia molecular exacta. Besaré tus astrolabios Hipatia, imaginando números entre columnas dóricas y adoraré tu coño filosófico// resplandeciente como ningún otro miembro fugaz neoplatónico. Repetiré Eso,  hasta el infinito tu alfabeto organizado en la secuencia Fibonacci, querida Inger. Confirmo el delirio ¡Somos sublimes! Toda locura es invento del sentido// Dioses infinitos, binarios, introduciendo la nueva secuencia genética en la gran computadora que no es el mundo, sino su espejo de Espacio. El Todo nos está meditando. Ahora escribe el código para probar que no eres un Robot.

 

Bisontes de luz (Editorial Ultramarina C&D, 2019)

 

***

 

 

 

LOUCOS OU CARTE D`IDENTITÉ DE EXTRATERRESTRES

 

Todos loucos/// caindo línguas lunáticas// como livros com calendários cósmicos ao chão// sinal de insónia por pensar na loucura de existir em sinfonias atropeladas// Mozart e o fantasma do pai// Mário Santiago grita as palavras que outro gritou e agora me apertam o pescoço: Se podes ser uma lenda. Porquê ser uma vala comum// searas de trigo retorcidos e coloridos wheatfield with crows que encantam o meu couro e um perfume de distância com a razão do betão// longe do certo, mas quão perto de Tata Dios. Nietzsche falando com a sua montanha, na hora do crepúsculo e nunca conseguiu derrubar monstro/// ídolo da sua própria religião intelectual fórmulas Marie Curie! // Eu também frequento a Universidade flutuante. Que Einstein viu partículas a sair de um violino atómico e se sabia nebuloso na sua ciência molecular exacta. Beijarei os teus astrolábios Hipatia, imaginando números entre colunas dóricas e adorarei a tua cona filosófica// resplandecente como nenhum outro membro fugaz neoplatónico. Repetirei, ad infinitum, o teu alfabeto disposto na sequência de Fibonacci, querida Inger. Confirmo o delírio. Somos sublimes! Cada loucura é invenção do sentido// Deuses infinitos, binários, introduzindo a nova sequência genética no grande computador que não é o mundo, mas o seu espelho de Espaço. O Todo está a meditar-nos. Agora escreve o código para provar que não és um Robô.

 

Bisão da Luz ((Editorial Ultramarina C&D, 2019)

 

ESPERARÉ A MI MADRE

 

Perteneces a la parte más secreta de ti misma.

Sol LeWitt

 

Esperaré a mi madre

al final de la herida

le diré que me encuentre

en el sonido ciego

en las entrañas de la luz

de un cachalote espacial

o de las pinceladas matéricas

de algún Sorolla

en el fresco de alguna casa antigua

que yo me he quedado en cada resto

de acrílico, pastel y óleo.

 

Ella sabe o intuye mi guerra interior

lo mucho que me cuesta la vida

como necesito una banquita

para pensar o desaparecer del mapa

para resguardarme del temor

para soportar mis voces.

 

Tenemos “derecho a la deambulación”,

me diría, para perdernos y ella intentará

entender mi sin medida, lo mucho

que me espanta perderme su vejez

lo mucho que me falta andar

camino a la mía.

 

 

Vou esperar pela minha mãe

no fim da ferida

Dir-lhe-ei que venha ter comigo

no som cego

nas entranhas da luz

de um cachalote no espaço

ou nas pinceladas materiais

de algum Sorolla

no fresco de alguma casa antiga

que fiquei em todos os restos

de acrílico, pastel e óleo.

 

Ela sabe ou sente a minha guerra interior

o quanto a minha vida me está a custar

como preciso de um banquinho

para pensar ou desaparecer do mapa

para me proteger do medo

para apoiar as minhas vozes.

 

Temos o "direito de vaguear",

ela dir-me-ia, para nos perdermos e tentará

compreender a minha falta de medida, o quanto

que tenho medo de perder a sua velhice

o quanto ainda tenho de caminhar

no caminho para a minha.

 

 

 

 

 (Inédito, 2023)

 

 

Traducción al portugués por Vítor G. Cardeira y Santiago Aguaded Landero

Janeiro, 2024


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