POEMAS IBÉRICOS (39). DOS POEMAS (2) DE EVA GALLUD

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Eva Gallud, nascida em Madrid, é licenciada em Filologia Inglesa, é tradutora há mais de quinze anos. As suas traduções incluem obras de poetas como Emily Dickinson, H.D., Vera Brittain, Siegfried Sassoon e Amy Lowell, e de contistas como Mary Austin, Edith Wharton e Kate Chopin. Publicou o livro de contos Todo rojo por dentro (Editorial Dieciséis, 2023), o romance Los años oscuros (Editorial Dieciséis, 2020) e as colectâneas de poesia Letanía del frío (Ya lo dijo Casimiro Parker, 2021), Raíz de ave (Ya lo dijo Casimiro Parker, 2018),  El taxidermista (Bancarrota ediciones suicidas, 2016), Ningún mapa es seguro (Palimpsesto, 2014) e Moléstenme solo para darme de comer (LVR [ediciones,2011). Participou nas antologias 20 con 20 - Diálogos con poetas españolas actuales (Huerga & Fierro, 2016) e Insumisas (Baile del Sol, 2019). Os seus poemas apareceram também em várias revistas, tanto electrónicas como impressas, como a revista Nayagua do Centro de Poesía José Hierro, a Revista Casapaís, Paperbag Poetry e Caracol Noturno, entre muitas outras. Participou em festivais em Espanha, como Cosmopoética 2019 (Córdoba), Vociferio 2019 (Valência), Poesía o Barbarie 2018 (Madrid), Voix Vives 2018 (Toledo), entre outros, e nos festivais internacionais de poesia de Patras (Grécia, 2020) e Maracaibo (Venezuela, 2016).

 

 

he observado el incendio de los huesos hasta la espiral de polvo | emblema giratorio de un rito recuperado | bajo nuestro cuidado quedan las divinidades extintas | continúan hablando | hablándonos | lenguas de tierra | el idioma de los istmos | unión ligadura abrazo lazo costura vínculo | todas las palabras que significan
mano
o
espesura

 eu vi o incêndio dos ossos até à espiral de poeira | emblema giratório de um rito recuperado | sob nossos cuidados ficam as divindades extintas | continuam a falar | falando connosco | línguas da terra | a linguagem dos istmos | união ligadura abraço laço costura vínculo | todas as palavras que significam

mão
ou
espessura

  De Raiz de Ave (2020)

 

***

ayer mi pecho era campo de centeno

se extendía hasta más allá de lo impensable

ayer mis brazos florecían de patatas

y me mojaba entera en los arroyos

hoy abrí los ojos y no hay nada

me despertó el jaleo de los vecinos

peleaban por los manzanos por el agua

por cuatro pimientos tristes que plantaron

dos matojos de tomates           

a quién se le ocurre       tomates

en mi pecho que era campo de centeno

ahora quieren tomates a la puerta de su casa

se gritan y se tiran de los pelos

empiezan a golpearse con garrotes

caen rodando por las laderas

va su sangre empapándome

me alimenta      quizá mañana despierte

otra vez mi pecho

ortiga y campo de centeno

 

 

 

ontem o meu peito era um campo de centeio

estendia-se para além do impensável

ontem os meus braços floresceram de batatas

e eu molhava-me nos riachos

hoje abri os olhos e não há nada

acordei com a algazarra dos vizinhos

lutavam pela água pelas macieiras

por quatro pimentos tristes que plantaram

dois arbustos de tomates         

quem poderia pensar        tomates

no meu peito que era um campo de centeio

agora querem tomates à porta de casa

gritam uns com os outros e arrancam os cabelos

começam a bater-se com paus

caem a rolando pelas encostas

o seu sangue encharca-me

alimenta-me    talvez amanhã eu acorde

o meu peito outra vez

urtiga e campo de centeio

Inédito, 2023

Traducción de SAL y Céu Pereira, revisión Vítor G. Cardeira

 


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