POEMAS IBÉRICOS (45). POEMAS DE CLAUDIA R. SAMPAIO

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© Foto de Facebook

 

Cláudia R. Sampaio (Lisboa,1981) es poeta y pintora. Estudió Cine en la Escuela Superior de Teatro y Cine, que abandonó para dedicarse a la escritura y, más tarde, a la pintura. Tiene actualmente ocho libros de poesía publicados: Os dias da CorjaA primeira urina da manhãVer no escuro1025 mg, Outro nome para a solidão, Já não me deito em pose de morrer, Inteira como um coice do universo y finalmente Uma mulher aparentemente viva (Porto Editora, 2022), del que hemos extraído este poema traducido.

 


"Caro leitor, por aqui, nada de concreto.

Nada de nada.

Por isso existo nesta escrita, consigo,

agora que abraçamos a mesma seiva

agora que somos feriado demencial

e sobreviventes do esplendor

Não se sente morrer a cada maravilha?

Não sente que o corpo se despedaça a

cada nova flor?

A cada novo gesto do belo?

Eu quero assassinar a beleza, partir-lhe os dentes,

deixá-la desfeita numa sarjeta!

Elevemos as coisas moribundas

Ajude-me a consagrá-las, torná-las moda

Porque nós, que somos do agrado dos buracos e

de tudo o que não é sagrado, sabemos:

O feio está no meio de nós"

 

"Querido lector, aquí no hay nada concreto.


Nada de nada.

Por eso existo en este escrito, contigo,


ahora que abrazamos la misma savia


ahora que somos fiesta demencial


y supervivientes del esplendor


¿No sientes la muerte con cada maravilla?


¿No sientes que tu cuerpo se rompe

con cada nueva flor?


¿Con cada nuevo gesto de belleza?

Quiero asesinar a la belleza, romperle los dientes,


¡dejarla desmoronándose en una cuneta!


Elevemos las cosas moribundas


Ayúdame a consagrarlas, a ponerlas de moda


Porque nosotros, que amamos los

 agujeros y de todo lo que no es sagrado sabemos:´


 

Lo feo está en medio de nosotros"



  


en UMA MULHER APARENTEMENTE VIVA

 

© csampaio

 

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Estimada lectora:

                             Yo amo todo lo que hay de feo en el espejo.

¿Por qué te acicalas con lo bello irreparable? ¿Habrá alguna palabra, que embellezca de estima el mundo feo? Si la belleza fuera tan borrosa como la fealdad, ¿quién podría decir “soy guapo” sin confundirse? ¿De quién la belleza, de la madre demacrada o del bebé que se amamanta de armonía? Si fueras símbolo, lectora, ¿serías rosa viviente con espinas o flor de fango donde se abren las puertas de la Palabra cráneo?

 

Cara leitora:

                             Eu adoro tudo o que é feio ao espelho.

Por que te enfeitas com o irremediavelmente belo? Haverá alguma palavra que embeleze com estima o mundo feio? Se a beleza fosse tão esbatida como a fealdade, quem poderia dizer "sou bonito" sem se confundir? De quem é a beleza, da mãe macilenta ou do bebé que mama em harmonia? Se fosses um símbolo, leitor, serias uma rosa viva com espinhos ou uma flor de lama onde se abrem as portas da Palavra crânio?

© sal

 

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