POEMAS IBÉRICOS (45). POEMAS DE CLAUDIA R. SAMPAIO
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Cláudia R. Sampaio (Lisboa,1981)
es poeta y pintora. Estudió Cine en
la Escuela Superior de Teatro y Cine, que abandonó para dedicarse a la
escritura y, más tarde, a la pintura. Tiene actualmente ocho libros
de poesía publicados: Os
dias da Corja, A
primeira urina da manhã, Ver
no escuro, 1025
mg, Outro
nome para a solidão, Já não me deito em pose de morrer, Inteira como um coice do universo y finalmente Uma mulher
aparentemente viva (Porto Editora, 2022), del
que hemos extraído este poema traducido.
"Caro
leitor, por aqui, nada de concreto. Nada de nada. Por isso existo
nesta escrita, consigo, agora que
abraçamos a mesma seiva agora que somos
feriado demencial e sobreviventes
do esplendor Não se sente
morrer a cada maravilha? Não sente que o
corpo se despedaça a cada nova flor? A cada novo gesto
do belo? Eu quero
assassinar a beleza, partir-lhe os dentes, deixá-la desfeita
numa sarjeta! Elevemos as
coisas moribundas Ajude-me a
consagrá-las, torná-las moda Porque nós, que
somos do agrado dos buracos e de tudo o que não
é sagrado, sabemos: O feio está no
meio de nós"
|
"Querido lector, aquí no hay nada
concreto. Nada de nada. Por eso existo en este escrito,
contigo, ahora que abrazamos la misma savia ahora que somos fiesta demencial y supervivientes del esplendor ¿No sientes la muerte con cada
maravilla? ¿No sientes que tu cuerpo se rompe con cada nueva flor? ¿Con cada nuevo gesto de belleza? Quiero asesinar a la belleza, romperle
los dientes, ¡dejarla desmoronándose en una cuneta! Elevemos las cosas moribundas Ayúdame a consagrarlas, a ponerlas de moda Porque nosotros, que amamos los agujeros y de todo lo que no es sagrado sabemos:´
Lo feo está en medio de nosotros" |
en UMA MULHER APARENTEMENTE VIVA
© csampaio
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Estimada lectora:
Yo amo todo lo que
hay de feo en el espejo.
¿Por qué te acicalas
con lo bello irreparable? ¿Habrá alguna palabra, que embellezca de estima el
mundo feo? Si la belleza fuera tan borrosa como la fealdad, ¿quién podría decir
“soy guapo” sin confundirse? ¿De quién la belleza, de la madre demacrada o del
bebé que se amamanta de armonía? Si fueras símbolo, lectora, ¿serías rosa
viviente con espinas o flor de fango donde se abren las puertas de la Palabra
cráneo?
Cara leitora:
Eu adoro tudo o
que é feio ao espelho.
Por que te enfeitas com
o irremediavelmente belo? Haverá alguma palavra que embeleze com estima o mundo
feio? Se a beleza fosse tão esbatida como a fealdade, quem poderia dizer
"sou bonito" sem se confundir? De quem é a beleza, da mãe macilenta
ou do bebé que mama em harmonia? Se fosses um símbolo, leitor, serias uma rosa
viva com espinhos ou uma flor de lama onde se abrem as portas da Palavra
crânio?
©
sal
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