POEMAS IBÉRICOS (46) TRES POEMAS DE DANIEL MACIAS
Daniel
Macías (Moguer, 1965) A obra do autor faz
parte da poesia da consciência crítica. Através da sua escrita original, na
qual se destaca uma linguagem alucinada composta por versos longos e quase
sufocantes, e da utilização de imagens e ideias pertencentes a religiões e
filosofias não ocidentais - que o aproximam do pensamento anarcoprimitivista -
Macías constrói o seu próprio universo poético a partir do qual enfrenta o
sistema económico e político do capitalismo tardio. Publicou mais de uma dezena
de livros de poesia, entre os quais Niño
Edén (Amargord, 2014), Ave Libro ave
(Amargord, 2015), Guadalquivirmente:Los
mil yogas del flipar (Amargord, 2016) e VICTORIA
HECHICERA: Vijayamantrikatantra (Publicação independente, 2018).
LA CUEVA
¿Justifica la fenomenología del
Espíritu al estado prusiano?
¿Huele a
puchero de deidad védica siendo Verano en mi
Alma?
¿Sé perder
ventanitas de oportunidad
histórico-onírica?...
mi vida,
encontré una cueva de ninfas en
Ítaca
que fue hace
mucho tu apartamento,
y tal como
te prometí liberé al primer pulpo capturado en sus
aguas,
Victoria
Alada, justicia y alegría en la mano de un
dios,
el pueblo
ama a sus
tiranos,
pero los
reinos pequeños y tranquilos nos rodean abundantemente...
A CAVERNA
Justifica a fenomenologia do
Espírito ao estado prussiano?
Cheira a
beicinho de divindade védica sendo verão na minha Alma?
Será que sei
perder pequenas janelas de oportunidade histórico-onírica?....
a minha vida,
encontrei uma caverna de ninfas em Ítaca
que foi há
muito tempo o teu apartamento,
e, como
prometido, libertei o primeiro polvo capturado nas suas águas,
Vitória Alada,
justiça e alegria na mão de um deus,
o povo ama os
seus tiranos,
mas os reinos
pequenos e tranquilos rodeiam-nos abundantemente...
De VICTORIA HECHICERA: Vijayamantrikatantra
LA GUERRA
FLORIDA
Anarco-primitivista el sermón montuno y azul de un
lirio en cueros, anti-capitalista el manto del Despierto, un puzzle de harapos
chamuscados de los muertos teñido de azafrán en un charco fangoso, gloria libre
el volverse verde, verde de comer yerbas y raíces como aquel yogui vestido de
algodón y vencer la tentación, amor, vencer la tentación en tiempo de hambruna
de declarar la guerra florida, capturar vivo al enemigo y devorarle el corazón.
A GUERRA
FLORIDA
Anarco-primitivista, o sermão montanheiro e azul de um lírio nuo,
anti-capitalista, o manto do Desperto, um puzzle de trapos queimados dos mortos
tingido de açafrão numa poça lamacenta, glória livre para se tornar verde,
verde de comer ervas e raízes como aquele iogue vestido de algodão e vencer a
tentação, amor, vencer a tentação em tempo de fome de declarar a guerra
florida, capturar o inimigo vivo e devorar o seu coração.
De Ave libro ave
PROGRAMA
FLOR DE MAYO
Habla la carabela de guerra portuguesa, su belleza es
la de seres unidos e invencibles, colonias que navegan, habla la naturaleza con
criaturas transparentes flotando dentro de mi litro y medio de sesos, imagina,
busca hermanos, trenza sueños, construye lazos, crea, funda colonias, belleza y
supervivencia, belleza y resistencia, siembra un nuevo idioma que se parezca a
la vida, una nueva vida que se parezca a la poesía, implanta el programa que
desprograma, el programa flor de mayo con pétalos de noes a todo lo que no es
humano, agua, tierra, fruto y manos, como la nave de los puritanos, la erupción
del Toba creó un largo invierno volcánico que casi extermina nuestra especie, por
ese cuello de botella evolutivo pasaron muy pocos, menos de dos mil gitanos en
bandas nómadas, sapiens muy duros, muy unidos, muy creativos, tu sangre es la
de ellos, empieza de nuevo, inventado nombre, traje de delicadeza, armas
nobles, banda buena, alta empresa, me lo han dicho en el desierto todos los
seres diminutos que navegan unidos en la carabela portuguesa, para que el viaje
sea tan hermoso como el destino hace falta un salto, un fuego en el centro, un
círculo, un canto, no en la vieja, no en la nueva, sino en la tercera Tierra
PROGRAMA FLOR DE MAIO
A caravela fala de
guerra portuguesa, a sua beleza é a de seres unidos e invencíveis, colónias que
navegam, a natureza fala com criaturas transparentes a flutuar dentro do meu
litro e meio de cérebro, imagina, procura irmãos, entrança sonhos, constrói
laços, cria, funda colónias, beleza e sobrevivência, beleza e resistência,
semeia uma nova linguagem que se assemelha à vida, uma nova vida que se
assemelha à poesia, implanta o programa que desprograma, o programa flor de
mayo com pétalas que se assemelham à poesia, beleza e resistência, semear uma
nova linguagem que se assemelha à vida, uma nova vida que se assemelha à
poesia, implantar o programa que desprograma, o programa flor de maio com
pétalas de nãos a tudo o que não é humano, água, terra, frutos e mãos, como o
navio dos puritanos, a erupção do Toba criou um longo inverno vulcânico que
quase exterminou a nossa espécie, por esse gargalo evolutivo passaram muito
poucos, menos de dois mil ciganos em bandos nómadas, sapiens muito duros, muito
unidos, muito criativos, o teu sangue é deles, recomeça, nome inventado, traje
de delicadeza, armas nobres, boa banda, alta companhia, todos os seres
minúsculos que navegam unidos na caravela portuguesa me disseram no deserto,
para que a viagem seja tão bela como o destino é preciso um salto, um fogo no
centro, um círculo, uma canção, não na velha, não na nova, mas na terceira
terra.
De Niño Eden
Tradução
pelo SAL e revisão pelo Vítor G. Cardeira
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