POEMAS IBÉRICOS (95) UN POEMA DE SARAH SCHNABEL

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LA LECTORA- UN POEMA DE S. SCHNABEL

Para Fiamma

No confío en las imágenes (aunque las pinte)

                                               ni en las visiones invocadas

por el trance de una escritura aljamiada.  ‒¿Soy mejor lectora que escritora? Yo misma me respondo: Nadie tiene la suficiente entereza para leer la inscripción que corona mi casa llena de gatos. Del futuro apenas puedo atisbar una huella, algún matiz en la materia. Otras veces veo visiones en el insomnio donde un animal es atravesado por la Ausencia. Sólo los pájaros tienen la palabra (y el pico) para decir el fin. Yo soy la mujer que capta sus atributos. Junto a la resistencia que atribuyo al árbol, reconozco el ser, el silencio y su sombra.

 


 

Para Fiamma

 

Não confío nas imagens (embora as pinte),

                                                                           nem nas visões invocadas pelo transe de uma escrita aljamiada.  Sou melhor leitora do que escritora? Eu mesma respondo: —Ninguém tem coragem suficiente para ler a inscrição que coroa a minha casa cheia de gatos. Do futuro, mal consigo vislumbrar uma pegada, algum matiz na matéria. Outras vezes, vejo visões na insónia, onde um animal é atravessado pela Ausência. Somente os pássaros tem a palavra para dizer o fim. Eu sou a mulher que capta os seus atributos. Juntamente com a resistência que atribuo à árvore, reconheço o ser, o silêncio e a sua sombra.

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© Sarah Schnabel, 1-5-2024

Do livro inédito, Visão difusa do futuro


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